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Ao L!, Dourado lembra sofrimento na carreira até virar artilheiro do Brasil

Dividindo artilharia ao lado do ex-tricolor Fred com 23 gols no ano, Ceifador abre o jogo sobre Fluminense, Seleção, garotada, Lusa, propostas e frieza nos pênaltis: ‘Parece fácil’

Afia a faca e passa no pescoço. O Ceifador vai te pegar. Para bom entendedor, meia-palavra basta, certo? E foi preciso apenas um ano para Henrique Dourado ‘passar a faca’ no pescoço dos rivais e desbancar outros grandes nomes do futebol brasileiro, como Luis Fabiano, Lucas Pratto, Guerrero e se tornar o maior artilheiro do país na atualidade ao lado de… Fred, ex-camisa 9 tricolor. 

No mês em que completa um ano vestindo a camisa do Fluminense, o Ceifador abriu seu coração para o LANCE! e falou dos sonhos e metas que busca atingir na carreira. Frio e calculista na hora de cobrar pênaltis, Dourado revelou que nunca está tranquilo e até treme quando vê um goleiro pela frente com a bola na cal. Depois de seis meses desanimadores, o camisa 9 não esconde a felicidade em dar a volta por cima, aos 27 anos, com 23 gols em 36 jogos na temporada. Se é o melhor momento já vivido?

O que você acha que foi determinante para ter esses semestre de 2017 bem distinto do segundo semestre de 2016 no Fluminense?

‘Alguns fatores mudaram para melhor. Adaptação à cidade, escola para o filho… Tive problemas. A chegada de Abel passou muita confiança’

‘Alguns fatores mudaram para melhor. Ano passado nao tive uma pré-temporada completa. Cheguei de um término de um campeonato na Europa e já emendei outro. E o corpo as vezes precisa de um descanso ou uma preparação adequada. Tem aspectos pessoais também, adaptação à cidade, achar escola para o filho… Tive problemas. Dentro do futebol nossa equipe não estava boa em conjunto como está esse ano. Quem joga de atacante precisa receber bolas. Com a chegada de Abel nesse ano, nos passou muita confiança. Tem me ajudado muito pra estar vivendo esse momento’

Como encara as propostas e sondagens recebidas nesta janela de transferências?

‘Não vou mentir: despertar interesse de outros clubes é legal. Mas não posso deixar que atrapalhe o foco. Deixo meu empresário filtrar tudo’

‘É um trabalho sendo reconhecido e a gente fica feliz, não vou mentir. Despertar interesse de outros clubes é legal. Aqui vai ser natural, abriu a janela vão chegar propostas para nosso elenco. Mas não podemos deixar que atrapalhe nosso foco. Tenho minhas metas, meus objetivos traçados e tento me desligar ao máximo disso. Deixo para o meu empresário filtrar tudo para me preocupar só com o futebol. A cobrança é muito grande e temos que fazer de tudo para manter a foco. A partir do momento em que gera expectativa do torcedor, tem que manter’

Apesar de jovem, como é ser uma referência para um elenco formado por tantos garotos inexperientes?

‘É diferente você estar em um clube onde é um dos mais experientes. Essa alegria e amizade que nós criamos, isso influencia dentro de campo. Nao só eu, mas o Pedro, por exemplo, é um menino de muita qualidade e quando entra tem dado conta do recado. É assim que se forma um grupo bacana, sem vaidade. Aqui ninguém quer ser melhor que ninguém’

Então passa conselhos para os jovens também não perderem o foco?

‘Converso bastante com os meninos. Nunca vi sair tanto jogador bom como nessa base. É impressionante

‘Sim, converso bastante com os meninos. Quando eles dão oportunidade procuro conversar em todas as área, profissional, pessoal… Ajudo eles a seguirem uma trajetória de sucesso, a trilhar uma carreira com muito profissionalismo e seriedade. No Fluminense, nunca vi sair tanto jogador bom como aqui nessa base. É impressionante. Todos os meninos têm cabeça boa. A gente tenta passar que o assédio vai ser natural, mas o atleta tem que saber dividir as coisas. Deixar para quem cuida da carreira, só pensar se for oficial. Tem que pensar só em jogar futebol. As especulações vão acontecer, mas não pode deixar influenciar’

Entrosado dentro e fora das quatro linhas, o trio de ataque formado com Richarlison e Wellington Silva já rendeu 45 gols na temporada – mais da metade do Fluminense em 2017. Porém, a parceria pode estar perto do fim. Na última semana, o camisa 11 foi negociado com Bordeaux, mas voltou após ser reprovado nos exames médicos. A bola da vez é o atacante de 20 anos, na mira do Ajax, da Holanda.

Como está seu entrosamento com o Richarlison, que também teve um 2016 apagado e hoje é o vice-artilheiro da equipe?

‘Está melhorando, mas ainda estou em débito. Ele sofreu cinco pênaltis e eu dei duas assistências, faltam três para empatar. Estou devendo pra ele. Isso está sendo bacana, Richarlison é um menino do bem e ta fazendo seu papel. e não só eu e ele, mas todos da parte da frente coloca num contexto geral. desde lá de atras que vem a criação para fazermos os gols na frente. Quem tem a ganhar é o Fluminense’

Em toda sua carreira, só perdeu um pênalti. Teve algum goleiro que você chegou a tremer antes da cobrança?

‘Se tem algum goleiro que tremi antes de bater? Todos! Todos, cara. Costumo dizer, parece fácil para quem está de fora. Mas no momento, quando você olha, dá um frio na barriga. Todos são difíceis. Claro que tem uns mais decisivos, mas procuro sempre estar pensando que é um treino normal. O gol fica pequeno e é bastante difícil. É muito trabalho no dia a dia. Faz um bom tempo que não perco, em Portugal também batia, mas não perdi nenhum’

Como foi bater duas vezes seguidas contra o Vasco em São Januário? Qual é o segredo para deslocar o goleiro todas as vezes?

‘Bater dois pênaltis contra o Vasco,foi difícil, passou o filme contra o Atlético-MG que eu perdi. Naquele dia, em 2014, eu bati o primeiro e fiz e o segundo bati pra fora. Contra o Vasco eu bati, fiz e no segundo eu pensei muito. Meu segredo? Não posso falar! (risos)’

Apesar de canhoto, você tem mais gols de perna direita – nove no total. Como explica isso?

‘Trabalho. Trabalho para aprimorar os fundamentos, do jeito que a bola vem a gente faz gol. Isso é dos treinamentos. Tenho facilidade para conduzir e finalizar com a perna direita. O Leomir trabalha muito com a gente e a aprimoramos para produzir gols’

Hoje há um empate na artilharia do país justamente com o Fred, ex-camisa 9 do Fluminense. Você já deixou claro que se preocupa mais em ajudar a equipe do que buscar números. Mas, internamente, há uma disputa com ele pra afastar esse fantasma nas Laranjeiras?

‘Não tem nada a ver. Fred é grande jogador, ganhou títulos, foi artilheiro. Essa disputa é mais para torcida’

‘Não tem nada a ver. Primeiro que nem passa pela minha cabeça essa disputa com Fred. Passa querer superar as minhas marcas. Fred é grande jogador, já deixei claro, todo mundo sabe. Longe de me comparar a ele, ele teve oito anos no Fluminense. Ganhou titulos, foi artilheiro. Essa disputa é mais para quem está fora do futebol. É mais para torcida. A gente nao faz essa comparação dentro do futebol, acredito que o Fred também não faça isso. Quem vive o futebol, está no dia a dia treinando e jogando não afeta muito. Procuro fazer o meu trabalho e as críticas sempre vão existir. Quando se passa um momento de dificuldade as criticas vão vir. Temos que estar preparados’

Sendo o jogador com mais gols no país, o prestígio aumenta. Tite assistiu ao último jogo do Fluminense no Maracanã. Você sonha com uma chance na Seleção ou é pensar muito alto?

‘Se uma pessoa não tem sonhos, se acomoda. Não existe nada impossível’

‘É possível. Já falei algumas vezes que sonho e sonho grande. Se uma pessoa não tem sonhos e não tem nada, se acomoda. Tenho minhas metas e sei que desempenhando um bom papel, estando bem no meu clube, sei que não existe nada impossível. Mas sei que no tempo certo e na hora certa um dia pode acontecer’

Hoje o camisa 9 da Seleção é o Gabriel Jesus, que você conhece dos tempos de Palmeiras. Assim como aconselha os garotos do Flu, também chegou a ajudar na adaptação do garoto em 2014?
Jesus estava fazendo a transição da base para o profissional. Com ele foi muito pouco contato, porque naquela época ele estava mais tímido. Quando vem da base para o profissional, o jogador fica acanhado, não tinha se soltado ainda. Sabia que ele tinha potencial, como mostrou e hoje está no Manchester City. Depois que se soltou ele foi embora’

‘Damião vivia fase espetacular. Não tem como forçar a barra. Estava feliz, tentando buscar meu espaço’

‘Não é que não rendi. Tem que entender o momento de cada atleta. No Cruzeiro, o Leandro Damião vivia fase espetacular. Não tem como forçar a barra. Lá, entrei fiz gols ajudei na Libertadores em jogos importantes. Mas o atleta às vezes não se sente bem estando no banco, sem dúvidas. Temos que entender que tem jogadores vivendo momento melhor. Trabalhar, não se abater. Não tem como forçar a barra. O Damião era artilheiro, grande jogador e eu respeitei aquele momento. Tive diversas propostas para sair, mas estava feliz e tentando buscar espaço ainda’

Antes do Cruzeiro e Palmeiras, você ganhou destaque no Brasil atuando pela Portuguesa. Como foi sua trajetória e qual foi a sensação de ter sido rebaixado naquele polêmico Brasileirão? 

‘Ficamos surpresos. Já estava comemorando em casa. Aquilo mudou o rumo de todo mundo. Muitos contavam com a renovação, estávamos sem receber salário. Jogamos pelo caráter’

‘Já vinha numa sequencia boa, fui artilheiro do Campeonato Paranaense pelo Cianorte, depois ganhei espaço na Portuguesa, naquele time que foi rebaixado. Ficamos muito tristes. Aquele time que caiu, a maioria no papel está em time grande. Era muito bom, tinha uma qualidade incrível. Tinha Moisés, Bruno Henrique, Luís Ricardo, Diogo, Gilberto… Era um bom time. Ficamos surpresos, já estávamos em casa, comemorando. Aquilo mudou o rumo de todo mundo. Muitos contavam com a renovação, estávamos sem receber salário, jogávamos pelo caráter. Abalou muito. Ficamos triste porque é um clube de tanta projeção no futebol e saiu no cenário nacional’

‘No futebol e na minha vida, nada veio fácil. Vim de baixo e conquistei meu espaço aos poucos. Não me deslumbro, sei da onde vim. Hoje estou aqui. Tudo serviu como lição para ser quem eu sou’

‘Questionamentos sempre vão existir. Mas não vou me inibir com a opinião das pessoas. O que vale e prevalece é o que você acredita em você mesmo, no seu potencial. Não vou deixar que me inibam. No futebol e na minha vida nada veio fácil, por isso sonho com Seleção. Vim de baixo e conquistei meu espaço aos poucos no futebol brasileiro. Não me deslumbro, sei da onde vim. Não vou sair pisoteando e subir como muitas pessoas fazem por meio da imprensa. Essa humildade quem tem a ganhar sou eu. E foi isso que me ajudou a chegar no Fluminense. Comecei pelo Flamengo lá de Guarulhos. Comi aquelas comidas, que não tem outra opção, tive aquelas dificuldades de clube pequeno. Hoje estou aqui. Tudo serviu como lição para ser quem sou’

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